sábado, 12 de novembro de 2011

4o. Motivo da Rosa




Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim

Cecília Meireles

Tendo a lua


(Os Paralamas do Sucesso)

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu lembro do que fiz
Querendo ver mais o distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu

Na verdade eu não mexi em cartas, bilhetes ou fotos.
Joguei metade das minhas roupas fora! Tão libertador!
Mas ouvi essa música esses dias e gosto muito dela...
(Não que eu deva satisfações a alguém...)

domingo, 6 de novembro de 2011

Sobre o que importa

É uma pena.
É uma pena que a gente não consiga aceitar algumas coisas sem revolta.
É uma pena que não nos revoltemos com outras, e simplesmente aceitemos.
É uma pena que não saibamos nunca selecionar as coisas contra as quais adianta nos mobilizarmos, ou deixar passar aquelas coisas que estão fora de nosso alcance.
É uma pena que só se escute o que se quer, enquanto que se fala tudo que queria. É uma pena a audição seletiva e o entendimento seletivo.
É uma pena que sejamos obrigados a falar aquilo que não queríamos, seja mentira ou verdade. É uma pena a obrigação de dar satisfações.
É uma pena que nos comparemos a pessoas que não têm nada a ver conosco e não percebamos que cada ser é único e cabem muito poucas comparações. É uma pena que não vejamos a individualidade de cada um.
É uma pena que nossa felicidade esteja atada à existência de uma outra pessoa. Pena que não consigamos alcançar a felicidade por conta própria.
É uma pena que tenhamos que passar pela negação, raiva, barganha e depressão até a aceitação. E que esse processo seja lento às vezes.
É uma pena que haja inversão de papéis por toda a vida: ser vítima é doloroso, mas é imensamente mais fácil.
Ou não, pode ser uma coisa boa inverter papéis: estar do outro lado nos faz chegar à aceitação mais fácil às vezes.
É uma pena que aprendamos tudo isso sempre muito tarde.

Só quando desistimos de lutar nos tornamos livres.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Motivacional

"- Você não tem nenhum amor, nenhum dinheiro, e é um completo fracassado. Só poderia estar pior se tivesse aquela doença que consome a carne por dentro.
- Obrigado... ¬¬
- Mas veja pelo lado positivo: você já está no fundo do poço. Agora só dá para ir para cima."

(Adaptado de Two and a half man)

domingo, 30 de outubro de 2011

Grand' Hotel


(Kid Abelha)
Se a gente não tivesse feito tanta coisa,
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand'hotel...

Se a gente não fizesse tudo tão depressa
Se não dissesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem os teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia!"

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Só pra se viver...


sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre infância, internet e bullying

Sofri bullying.
Não no colégio, onde eu era popular e conversada, mas na faculdade, onde as meninas populares e lindas me achavam retardada por gostar de Harry Potter. Só porque elas tiveram infância/adolescência rosa e burguesa, enquanto eu fui normal (ou quase isso)...

Mas a verdade é que, se todos no colégio soubessem que eu pedia a meus irmãos mais novos para gravarem Pokémon pra mim todas as manhãs, tinha figurinhas (mas nunca comprei o álbum) e que tinha uma revista poster com todos os 151 eu provavelmente seria motivo de piada no colégio também. Ah, é importante lembrar do CD que veio junto com a tal revista poster!

E hoje gostar de Pokémon virou uma coisa boa, pop (assim como ser nerd). Ao menos na internet.
Acaba que eu estou a uns episódios de Star Wars e Dragon Ball de poder ser uma blogueira.
Isso é bom? Ruim? Foda-se! Isso é ver que eu não era a única pessoa de 13 anos que curtia animes bobinhos.

O mais legal da internet é ver que há mais um milhão de pessoas que fez/faz a mesma coisa que você fazia/faz e sente vergonha de contar.
Na internet não estou mais sozinha.

E tenho ditto!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Construção

(Chico Buarque)
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

R.I.P. Português

Em tempos de inclusão digital é muito difícil separar memes de analfabetismo.
Como saber se aquela pessoa que escreveu "não tá facio" o fez pelo meme ou por realmente acreditar que está certo?

Todos já tivemos fases de "miguxês", de "h"ao invés do acento.
Especialmente a partir da minha geração, cuja adolescência veio no boom da internet, escrever dessa forma medonha se tornou comum, tanto em um ambiente mais particular - como bilhetinhos para amigos durante a aula - quanto em público, como nos blogs (já comuns na época) e primeiras redes sociais (aproveitando, deixo aqui meu R.I.P. Orkut também!).
E nós, mineiros, que raramente falamos e escrevemos "está" e "para"? Faz parte do sotaque daqui, levado da língua falada para a escrita.

Mas na minha época, quando o assunto era sério ou quando o receptor da nossa mensagem não era um adolescente assassino da língua pátria, sabíamos escrever. Por exemplo, sabíamos (pelo menos eu sabia) usar os porquês, mesmo que o "pq" tenha pego rápido nas escritas informais.

Mas ao ler "xance" no twitter duvido muito que isso seja só uma "faze" da juventude.