domingo, 30 de outubro de 2011

Grand' Hotel


(Kid Abelha)
Se a gente não tivesse feito tanta coisa,
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand'hotel...

Se a gente não fizesse tudo tão depressa
Se não dissesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem os teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia!"

Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Só pra se viver...


sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre infância, internet e bullying

Sofri bullying.
Não no colégio, onde eu era popular e conversada, mas na faculdade, onde as meninas populares e lindas me achavam retardada por gostar de Harry Potter. Só porque elas tiveram infância/adolescência rosa e burguesa, enquanto eu fui normal (ou quase isso)...

Mas a verdade é que, se todos no colégio soubessem que eu pedia a meus irmãos mais novos para gravarem Pokémon pra mim todas as manhãs, tinha figurinhas (mas nunca comprei o álbum) e que tinha uma revista poster com todos os 151 eu provavelmente seria motivo de piada no colégio também. Ah, é importante lembrar do CD que veio junto com a tal revista poster!

E hoje gostar de Pokémon virou uma coisa boa, pop (assim como ser nerd). Ao menos na internet.
Acaba que eu estou a uns episódios de Star Wars e Dragon Ball de poder ser uma blogueira.
Isso é bom? Ruim? Foda-se! Isso é ver que eu não era a única pessoa de 13 anos que curtia animes bobinhos.

O mais legal da internet é ver que há mais um milhão de pessoas que fez/faz a mesma coisa que você fazia/faz e sente vergonha de contar.
Na internet não estou mais sozinha.

E tenho ditto!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Construção

(Chico Buarque)
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

R.I.P. Português

Em tempos de inclusão digital é muito difícil separar memes de analfabetismo.
Como saber se aquela pessoa que escreveu "não tá facio" o fez pelo meme ou por realmente acreditar que está certo?

Todos já tivemos fases de "miguxês", de "h"ao invés do acento.
Especialmente a partir da minha geração, cuja adolescência veio no boom da internet, escrever dessa forma medonha se tornou comum, tanto em um ambiente mais particular - como bilhetinhos para amigos durante a aula - quanto em público, como nos blogs (já comuns na época) e primeiras redes sociais (aproveitando, deixo aqui meu R.I.P. Orkut também!).
E nós, mineiros, que raramente falamos e escrevemos "está" e "para"? Faz parte do sotaque daqui, levado da língua falada para a escrita.

Mas na minha época, quando o assunto era sério ou quando o receptor da nossa mensagem não era um adolescente assassino da língua pátria, sabíamos escrever. Por exemplo, sabíamos (pelo menos eu sabia) usar os porquês, mesmo que o "pq" tenha pego rápido nas escritas informais.

Mas ao ler "xance" no twitter duvido muito que isso seja só uma "faze" da juventude.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Update aleatório

Ando muito apertada, muito cheia de projetos, então dei uma sumida...

Engraçado como as coisas são: assim que eu formei me desesperei por não ter nada em vista, por não ter planos para o futuro. E foi quando eu deixei pra lá que as coisas deram certo: agora eu estou me desesperando por ter coisas demais dando certo e eu talvez ter que escolher entre elas.

Quando as novidades se assentarem eu conto... =)