É uma pena que a gente não consiga aceitar algumas coisas sem revolta.
É uma pena que não nos revoltemos com outras, e simplesmente aceitemos.
É uma pena que não saibamos nunca selecionar as coisas contra as quais adianta nos mobilizarmos, ou deixar passar aquelas coisas que estão fora de nosso alcance.
É uma pena que só se escute o que se quer, enquanto que se fala tudo que queria. É uma pena a audição seletiva e o entendimento seletivo.
É uma pena que sejamos obrigados a falar aquilo que não queríamos, seja mentira ou verdade. É uma pena a obrigação de dar satisfações.
É uma pena que nos comparemos a pessoas que não têm nada a ver conosco e não percebamos que cada ser é único e cabem muito poucas comparações. É uma pena que não vejamos a individualidade de cada um.
É uma pena que nossa felicidade esteja atada à existência de uma outra pessoa. Pena que não consigamos alcançar a felicidade por conta própria.
É uma pena que tenhamos que passar pela negação, raiva, barganha e depressão até a aceitação. E que esse processo seja lento às vezes.
É uma pena que haja inversão de papéis por toda a vida: ser vítima é doloroso, mas é imensamente mais fácil.
Ou não, pode ser uma coisa boa inverter papéis: estar do outro lado nos faz chegar à aceitação mais fácil às vezes.
É uma pena que aprendamos tudo isso sempre muito tarde.
Só quando desistimos de lutar nos tornamos livres.
Um comentário:
Acho que a gente conseguiria lidar conosco mesmo e com os outros melhor se as pessoas fossem mais sinceras e simples.
É uma pena que a gente não consiga fazer isso.
Mas eu torço, pra gente aprender com o tempo.
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