quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

*continuação*

Ainda entorpecida por Edward Cullen, o perfeito gentleman imortal, lá fui eu, feliz e saltitante, à festa de 15 anos da prima do meu bem... nada muito chique, só pra amigos e família... mais amigos que família, na verdade...

A música começou quando os primeiros convidados chegaram *incluindo nós*, até aí normal, se não fosse um pancadão daqueles que só toca quando todos estão bêbados o suficiente para se liberar no bacanal que vira a pista de dança... e assim foi, por todo o tempo que estive lá... uma selvageria carnal que eu não conseguia não associar à dança do acasalamento, mas com seus protagonistas com no máximo 15/16 anos... fiquei HORRORIZADA, e acho que até Baco ficaria...

Sabe aquela sensação de "na minha época não era assim"? Pois é... muito pior... pelo menos algumas meninas tiveram a sensibilidade de usar shorts por baixo de seus nano-vestidos... ALGUMAS, eu disse...

Na minha época, festa de quinze anos era sinônimo de vestido formal (mesmo que não fosse um longo, pelo menos um que fosse condizente com a condição de debutante...), a música de início era um pop batidinho, que permitia que os convidados conversassem amenidades enquanto chegavam, vissem seus amigos e falmiliares, perguntassem como estava a vida -de forma não retórica- antes de se jogar na pista de dança...

Antes o funk se resumia ao Bonde do Tigrão, que dava seu recado com muito mais eufemismo, não me deixando tão ofendida assim... já hoje...
Um momento de nostalgia funkeira surgiu com "Já é sensação", mas foi bem fulgaz pro meu gosto... o resto era de créu pra baixo... pra cima, pro lado e pra todas as posições que eu jamais pensei existir...

Na minha época, havia muito gosto em se tocar músicas dos anos dourados de nossos pais em um momento da festa, agradando aos convidados de todas as idades... mas a não ser YMCA e uma do Michael Jackson que eu não sei o nome, nada que meus sogros *ou eu* conhecesse ousou tocar hoje...

Hoje, eu suponho que o gosto musical esteja resumido a funk, hip-hop e "música de emo", como sabiamente classificaria meu irmão...

E eu fiquei lá, aturdida, pensando que quando meus filhos começarem a frequentar as festas de 15 anos eles já vão de roupão- e nada mais- pra facilitar tudo...

Passei todo o tempo sonhando com um mundo onde homens abrem a porta do carro, pronunciam corretamente todas as palavras de seu vasto vocabulário -que não contém palavrões, a não ser em momentos de extrema crise- com perfeição, as festas incluem obrigatoriamente vestidos decentes e dança de salão, as mulheres são virtuosas e elegantes... aiai... *mesmo que eu nunca tenha participado desse mundo, acho que minha aversão atual à algumas coisas hoje em dia se adaptaria perfeitamente...*

Enfim, acho que estou velha demais para os meus 20 anos... ou talvez só abobalhada demais... vai saber...

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