sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A saga recomeça...

Alguém quer comprar um filhote de boxer?!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

É tão ruim quando a gente percebe que não tem assunto NENHUM...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tênis x Frescobol

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme "O império dos sentidos". Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo, eu te amo..." Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada." É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma."

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
"Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: 'Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: 'Tens razão, minha querida'. A situação está salva e o ódio vai aumentando."

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...



Rubem Alves
O retorno e terno

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Novidades

Na falta de coisas inteligentes para postar, vamos às novidades...

Estou relendo "O retorno e o terno", de Rubem Alves... muito bom, muito, muito muito bom... e não estranhem se vocês encontrarem todas as crônicas dele postadas aqui um dia (já iniciei a reprodução não autorizada no post passado). Mas não tenho muito mais a falar dele agora...

Estou fazendo academia... e por mais incrível que pareça, estou adorando!!!!!! Logo eu, uma fiel devota do ócio, que evitava todo e qualquer esforço físico, agora toda empolgada com musculação... o mundo está acabando!!!! (nesse momento, diria meu querido Mô: "É, tá acabando mesmo... até quem nunca morreu tá morrendo!!")
Fiquei mais disposta, estou dormindo melhor, me alimentando melhor (afinal como dá fome o dia todo, eu não fico só no esquema almoço-janta...) Quem diria!!!!!

Mas tenho que admitir que só estou gostando pelo meu amor supremo à rotina e coisas repetitivas... eu achava que academia seria chato por ser repetitivo, mas é justamente aí que mora o seu charme... sem inovações, sem novidades... o bom e velho "de sempre".

Nisso eu ainda não mudei... a pizza, o hambúrguer, a carne, o doce, a roupa... tudo pra mim é sempre o "de sempre". Por que com exercício físico haveria de ser diferente??? Então junta-se o útil ao agradável: na minha política da sem-inovação eterna, eu vou fazendo meu exercício, ficando mais saudável e com o corpo mais definido... tem coisa melhor?!??!

Vamos ver até quando isso dura...

*Da série "Nathi marombeira"*

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A Amizade

Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E , no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e ficam meio tristes quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo que fazemos na vida pode se resumir nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me esqueci. Romain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era diferente de tudo que já sentira antes. O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira.

A experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com quem estivemos desde sempre. Pela primeira vez, estando com alguém, não se sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro.

"Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava 'Tenho um amigo, tenho um amigo!' Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu apenas deitou-se. Mas durante a noite foi acordado duas ou três vezes, como que por uma idéia fixa. Repetia para si mesmo: 'Tenho um amigo', e tornava a adormecer."

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa em cuja companhia não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês dois lhes causa ansiendade, se quando o assunto foge você se põe a procurar palavras para encher o vazio e manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga. Porque amigo é alguém cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos, seja bater papo, comer, jogar ou transar. Até que tudo isso pode acontecer. Mas a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga, terminado o alegre e animado programa, vem o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse momento o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do outro. Amigo é alguém cuja simplespresença traz alegria independentemente do que se faça ou diga. A amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma história oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido sempre assim. Em tempos passados a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias, que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada e lá ficou. Por se inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. os viajantes se assentam sob sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma exeriência de comunhão. Diante do amigo sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.



Rubem Alves
O retorno e o terno

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Constatações

eusoualienadapontocom



...And the quastion is: who cares?!...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Me parece que eu sou uma peça de outro quebra cabeça... que tenta, tenta se encaixar, mas simplesmente não dá... pode até parecer que aquele é meu lugar, mas eu sei que não é.. o desenho combina bem, mas tá sempre sobrando ou faltando espaço...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Vício modo on

Acabei de assistir Crepúsculo...

Depois das críticas negativas que degradaram o filme ao meu redor, eu tinha que conferir se era tãão ruim assim afinal...

Ok, não é nenhuma mega-produção, os efeitos especiais deixaram MUITO a desejar, como os sorrisos mostrando a bela arcada dentária dos vampiros (que me pareceram bem inocentes com seus rugidos), ou a tentativa frustrada de agilizar Edward para que ele abrisse a porta do carro para Bella (mas que pareceu mais que estavam adiantando a fita com o “for forward”), além da pele de diamantes de Edward ao sol (que eu achei que deveria brilhar muito mais)... por falar nisso, o dia pareceu claro na maior parte do filme (considerando-se que Forks deveria ser o lugar mais chuvoso dos EUA). Na verdade eu não sou muito de prestar atenção na fotografia de filmes em geral, mas não pude deixar de notar que Forks estava bem como no livro... só mais clara e seca...

A escolha dos atores foi melhor do que eu ouvi falar... não consigo imaginar outra Bella (mesmo que ela tenha me surpreendido com a sua capacidade de andar rápido com o pé engessado no final do filme...) e Robert Pattinson até que não deu um mal Edward (eu esperava que Edward fosse mais bonito, na verdade, mas o rosto angular do ator era exatamente como a descrição do vampiro... entretanto a sua falta de expressão, os poucos sorrisos tortos tão irresistíveis e a constante cara de estar puto foram bem frustrantes). Ashley Greene também estava "muito Alice" no filme, e os outros vampiros não me surpreenderam muito... não eram exatamente como eu imaginei, mas pareciam bastante... a não ser Rosalie, que deveria ser muito mais estonteante, certo?! A maioria dos outros atores também foram bem escolhidos para o papel, apesar de eu ter sérias considerações a fazer: alguém pode me dizer por que diabos Victória era loira???? (O que aconteceu com seus cabelos cor de fogo??) E porquê Jacob passou o filme inteiro com o cabelo solto, se Bella sempre o descreve com um rabo-de-cavalo (ele só vai soltar o cabelo lá pelo segundo livro, eu acho...)?? E eu não lembro se Laurent era negro, mas se fosse o caso ele deveria ter um tom oliva, como todos os vampiros que têm a pele mais escura...no entanto ele não me pareceu pálido... o que me leva a comentar outra coisa: eu esperava uma maquiagem muito melhor, como a das fotos de divulgação do filme... posso atribuir uma parte da minha decepção à resolução péssima que eu assisti (pirataria modo on...), mas tenho certeza que eles não eram tão pálidos quanto deveriam ser...estavam quase da cor da Bella!!!!!!!!! O cinema já se mostrou muito melhor nesse quesito.

Eu fui esperando um trash da pior qualidade, mas só encontrei um filme não tão grandioso quanto Harry Potter, e a comparação fez com que Crepúsculo ficasse muito pior do que realmente foi... o que não quer dizer que a qualidade do filme esteja à altura do livro, mas foi melhor do que eu achei que fosse pelas críticas (apesar de muito pior do que poderia ter sido)... talvez com um pouco mais de emoção no próximo filme tudo seja resolvido...

Uma última consideração a fazer: por que todos filmes baseados em livros sempre mudam tanto a história?? Uma coisa é cortar algumas partes menos importantes, afinal ninguém vai ficar 7 horas assistindo a um filme... mas outra completamente diferente é manter o diálogo da cena e mudar toda a cena!!!! Fiquei esperando pela chamadinha e a piscadela de Edward no refeitório, quando ele decide dizer que desistiu de ficar longe de Bella e ela conta suas teorias sobre super-heróis... e no entanto essa conversa aconteceu na fila da comida!!!!! O que custava eles estarem sozinhos numa mesa, com o refeitório todo olhando?? E desde quando Bella mata aula pra entrar na floresta?? Ela é toda responsável no livro...

O conflito dos Cullen com James também foi bem simples, nem pareceu que essa era a parte emocionante da história!!

Enfim, o filme seria muuuuuiiiiito mais fiel ao livro se eu tivesse dirigido!!! =) ... mas acho que se o diretor, e os atores tivessem lido TODOS os livros, com o carinho de um fã, esses deslizes teriam sido bem menores...

(vício off)