domingo, 20 de novembro de 2011

O novo (luso-tupiniquim) Português

A Língua Portuguesa, levada por Portugal às suas colônias, sofreu regionalismos e simplificações marcantes no Brasil. Com isso, a Língua Portuguesa deu origem a uma filha pródiga tupiniquim, menos arcaica, sem "cês" e "pês" mudos, por exemplo.
Mas essa divisão tornou difícil a compreensão entre os falantes da língua original e originada: é difícil para nós, simplificadores, lermos textos publicados em um Português "conservador". Ler Saramago em sua escrita original? Uma luta para poucos! Da mesma forma, é difícil para nossos luso-irmãos lerem obras clássicas brasileiras sem tropeçar em uma palavra ou outra.
Assim, acho certo que haja unificação da Língua Portuguesa. Como uma das línguas mais faladas no mundo, é necessário que, ao menos seus falantes, se entendam.
Além disso, as modificações do novo acordo ortográfico ternaram oficiais o que nós, reles falantes, já aprovamos ou adotamos há tempos: simplificações do uso de hífen e acentos, incorporação das três letras "estrangeiras" (mas já usadas) e o digno sepultamento do trema, já falecido há muito tempo.

Ceder e amar: o difícil é começar

Apaixonar-se é preciso. Mas é difícil, muito difícil.
Num mundo individualista, onde o maior contato humano é o "oi!" na webcam, é difícil ceder espaço para que outro entre e fique na sua vida, se deite no seu sofá e se aposse de seu controle remoto. É de abalar qualquer auto-controle.
Até eu, taurina por completo (que se apaixona por quatro em cada cinco sorrisos que vê), acho difícil entregar o controle assim, fácil. Não fui treinada para ceder. Nem eu, nem ninguém que conheço.
Mas a felicidade em um relacionamento depende dessa entrega. E, no final, a felicidade em si (para muitos, eu inclusa), depende de um amor. Porque "ninguém é uma ilha", e "é melhor sofrer junto que viver feliz sozinho".
Então mesmo que seja difícil, devemos tentar ceder espaço. Só assim descolamos um colo no sofá, mesmo que seja para assistir ao time dele perdendo o jogo. Podemos descobrir prazeres pequenos de um amor, se simplesmente deixarmos que ele chegue e cresça no nosso cantinho.

Veia literária

Com o cursinho vieram as aulas de Literatura e de Português. Com as aulas de Literatura e Português vieram as redações. E com meu momento de vida atual, inspirado, vieram os bons textos.

Gostei particularmente (até agora) de dois artigos de opinião que fiz, então vou postá-los aqui (os próximos posts).

Enjoy it!

domingo, 13 de novembro de 2011

20 coisas, 101 dias

Uma amiga me sugeriu um post: uma lista de 101 coisas que quero fazer em 1001 dias. Devem ser planos reais, possíveis, mensuráveis, não coisas como "casar, ter filhos e viver feliz para sempre".
Ou seja, difícil pra caramba.

Como minha vida futura está dependendo de muita coisa e em uma fase de mudanças tremenda, é muito difícil eu fazer planos para muito tempo. Então resolvi fazer uma versão enxuta, com as coisas que eu lembro agora e que quero fazer até fevereiro, quando vou ter a confirmação dos meus planos futuros (101 dias, a contar de hoje, dá no dia 22/fev/2012). E, depois que as coisas se resolverem e eu ficar sabendo o que vai ser feito da minha vida a partir do ano que vem, faço uma lista de verdade, para os 1001 dias (dá quase 3 anos, né?).
A medida que eu for fazendo o que quero, vou dando um check na frente, para vocês me cobrarem, ok?

Então vamos lá:
1- Ir a um samba.
2- Comprar três blusas bem bonitas para sair. E uma jaqueta jeans curtinha.
3- Ir ao cinema pelo menos uma vez por mês.
4- Baixar/alugar Burlesque e assistir com as amigas.
5- Passear com a Mila uma manhã de domingo.
6- Dormir mais cedo.
7- Ir à Marisa Lingerie e comprar tudo que eu quiser (e que der para pagar antes do prazo da lista acabar)
8- Comprar Grande Sertão: Veredas.
9- Ler os livros que ganhei de presente esse ano.
10- Fazer panquecas de frango.
11- Ir à uma boate.
12- Sair pelo menos uma vez a cada 15 dias. Nem que seja para ir ao cinema sozinha.
13- Fazer doce de leite ninho.
14- Tomar açaí essa semana.
15- Ir ao Exganadão no próximo fim-de-semana.
16- Lavar meu carro. Por dentro e por fora.
17- Comprar um pote de sorvete de morango assim que receber.
18- Fazer bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
19- Entrar para academia assim que as provas passarem.
20- Ver quanto/quando/como fazer uma aula de canto.

Acho que isso tudo dá para fazer...
PS- Essa lista me saiu muito consumista, não acham?

#100FACTSABOUTME

Vi essa brincadeira no blog da Quel há muito tempo e desde então quero fazer, mas nunca tive coragem...
Sim, a palavra é coragem. Porque às vezes tenho medo de que as pessoas me conheçam. Acho que gosto de não ser compreendida...
Mas enfim, já que é tempo de mudanças, vamos tentar me definir...

1- Sou prolixa, confusa, e explico tudo por metáforas.
2- AMO meu cabelo do jeito que ele é.
3- Não tenho dó alguma do meu cabelo, apesar de amá-lo. Se eu cismar eu pinto, corto, penteio, embolo, faço dreads... porque no final ele vai sempre nascer de novo, do jeito que ele é.
4- Tenho uma fixação estranha por modificações corporais.
5- Tenho também um bom senso de estética para não mudar muito meu corpo (não que isso já não tenha me passado pela cabeça).
6- Sou muito volúvel.
7- Sou muito teimosa.
8- Sou um pequeno grande paradoxo.
9- Passo a maior parte do meu dia com dor de cabeça porque não gosto de usar óculos.
10- Tenho poucos graus de hipermetropia, mas como passo a maior parte do meu dia lendo (seja por diversão, estudando, ou trabalhando, impresso ou no computador), isso me atrapalha bastante.
11- Sim, tenho que usar óculos.
12- Não penteio meu cabelo a não ser que ele esteja molhado.
13- Se eu estiver de trança, significa que penteei o cabelo a seco.
14- Amo fazer minhas unhas.
15- Só parei de comer unha por ciúmes: uma amiga minha tinha unhas lindas e eu queria ser igual a ela.
16- Crio primeiras impressões das pessoas muito rapidamente.
17- Geralmente essas primeiras impressões são falsas e eu demoro muito para admitir isso.
18- Às vezes falo muito mais do que deveria. Mas às vezes ainda é muito menos do que realmente penso.
19- Minha parte preferida do corpo é minha orelha esquerda (!).
20- Meu olho fica verde quando acordo, espirro muito ou faço exercícios físicos pesados.
21- Um dos meus CDs preferidos é Americana, do The Offspring, mas não conheço quase nada do trabalho deles fora isso.
22- O Eminem já foi meu ídolo quando eu tinha 13 anos. Mas ainda gosto bastante.
23- Já andei de bermudão masculino, blusa de banda e coturno.
24- Já andei de saia hippie e rasteirinha.
25- Já andei de scarpin e vestido.
26- Hoje ando com roupas muito parecidas com as da minha irmã.
27- Só tenho criatividade quando não preciso dela.
28- Morro de vontade de escrever um livro, mas devido ao item anterior nunca consegui.
29- Pareço durona, mas sou altruísta.
30- Pareço simpática, mas falo mal de você na minha cabeça.
31- Tenho vício em lavar as mãos.
32- Tenho vício em higiene bucal.
33- Tenho os últimos molares superiores um pouco afastados, o que faz com que se acumule comida nesse espacinho, o que me dá dores de dente terríveis.
34- Tenho dores constantes nas costas também. Mas isso por é má postura e eu não melhoro por falta de vergonha na cara.
35- Sempre vou amar as pessoas do meu passado.
36- Sonho com um príncipe encantado (é ridículo, eu sei).
37- Gosto muito da letra B (até nisso somos parecidas, amiga!).
38- Não gosto de rosas. Acho batido.
39- Morro de medo de filmes de espíritos/demônios.
40- Fiz equitação por 4 anos. Mas monto pessimamente mal.
41- Passei a vida inteira querendo ser veterinária. Nunca vou ser.
42- Posso tomar um pote inteiro de 2L de sorvete sem ver.
43- Às vezes gosto de contato físico. Mas às vezes não gosto que me toquem.
44- Não gosto que mexam na minha cabeça (a não ser no salão).
45- Tenho mania de morder a boca, ficar puxando aquelas pelinhas... e acabo machucando minha boca toda.
46- Morro de vontade de me mudar para São Paulo. Sinto que há algo guardado para mim lá.
47- Me apaixono por sorrisos. E me desapaixono com um sorriso.
48- Prefiro refrigerante de laranja a guaraná. Mas Coca-Cola é universal.
49- Sempre que possível, releio tudo que escrevo 204.504.412 antes de postar.
50- Depois de postar ainda releio outras 4.604.654 vezes até deixar para lá e tocar a vida.
51- Gostaria que mais pessoas entrassem aqui. Gostaria de dividir o que digo com mais pessoas, discutir mais o que penso.
52- Mas não queria que essas pessoas fossem conhecidas. Me sinto vulnerável convivendo com quem sabe muito sobre mim.
53- Por mais que eu finja que não, sou tímida.
54- "Procura-se um amor que goste de cachorros" e "Moulin Rouge" são alguns dos meus filmes preferidos.
55- Nunca fiquei com um cara que tivesse tatuagem (pelo menos não que eu saiba). Os que têm tatuagem hoje fizeram depois de mim.
56- Já tive um rato de estimação. Não um hamster, um rato mesmo.
57- Quero um gato de estimação, mas tenho medo de que ele suba nos móveis e jogue tudo no chão.
58- Adoro roupas cinzas.
59- Já não estou enxergando o que estou escrevendo. Vou buscar meu óculos... ¬¬
60- Não vou escrever tudo que vocês não sabem sobre mim aqui. Alguns dos meus fantasmas são só meus.
61- Gosto de me reinventar.
62- Para mim, corpo "normal" > gordinhos > fortinhos = magrelos >>>>> true fat > bombadões. E tenho dito.
63- Por motivos óbvios, obesidade mórbida não entra na lista acima.
64- Sempre quis aprender a tocar algum instrumento. Melhor ainda se fosse saxofone.
65- Ainda vou fazer aula de canto.
66- Sempre quis saber dançar fodasticamente. Principalmente danças de casal. Especialmente samba, salsa e zouk.
67- Gosto de todo tipo de animal. Evito matar insetos inclusive. A não ser pernilongos: esses merecem morrer mesmo.
68- Ainda terei um bulldog inglês chamado Tobias, uma gata chamada Nina, um gato chamado Kenzo, um vira-latas chamado Farofa e um outro cachorro chamado Au Capone (ainda sem raça escolhida). Não necessariamente todos ao mesmo tempo. Ou sim né, vai saber.
69- Tenho certeza que terei ao menos uma menina. E ela vai se chamar Beatriz.
70- Sonho com uma casa branca, de janelas de madeira e telhado colonial, com samambaias na varanda e um ou dois pés de fruta (a definir) no quintal.
71- Não me importo em ser mulher.
72- Sinto saudades de coisas que nunca vivi e de pessoas que nunca conheci de verdade.
73- Às vezes discordo das pessoas só para poder argumentar um pouco. Gosto de discutir (discussões sadias). Sou briguenta, adoro um bate boca.
74- Sou pirracenta. Se eu admitir que estou errada é porque acho que estou MUITO errada (ou porque gosto muito de você).
75- Sou pervertida, falo bobagem até. Mas só com quem fala bobagem comigo primeiro.
76- Não há estilo musical que eu não goste. Dependendo da situação, claro.
77- Os únicos livros que comecei e não terminei são "Guerra e Paz", "A Caverna" e "O mundo de Sofia". O último, comecei 7 vezes.
78- Quando começo a ler não faço mais nada: não como, não converso com ninguém, não durmo, até seguro para ir ao banheiro.
79- Quando o livro acaba entro em uma abstinência pesada.
80- Meu livro preferido é "Memórias de um vira-lata". Nem sei quantas vezes li.
81- Estou num momento de clássicos.
82- Não gostei de "O Hobbit" e "O grande mentecapto". Me sinto excluída da humanidade por isso.
83- Posso falar de livros por horas.
84- Amo o Mercado Central. Principalmente seu cheiro.
85- Gosto muito do pedacinho da Augusto de Lima entre a Faculdade de Direito e a rua Rio de Janeiro também, sei lá porque. E da rua da Bahia também.
86- Amo a Pampulha
87- Amo sebos. Quando mais cheiro de papel velho e poeira melhor. Mesmo que eu saia de lá com crise asmática. E acho que clássicos da literatura devem ser comprados usados.
88- Fico sem graça se passo por uma pessoa mais de uma vez ao dia. Não consigo não cumprimentá-la todas as vezes que nos cruzamos.
89- Não gosto de dirigir.
90- Adoro motos.
91- Sei andar de bicicleta, mas tenho medo de ser atropelada.
92- Sempre acho que as roupas ficam melhores nos outros que em mim.
93- Transpiro bastante para alguém tão pequeno e magrinho.
94- Adoro homens de olhos pequenos e boca fina. E barba.
95- Sou muito exagerada e dramática. Gosto de me fazer de vítima às vezes. É quase involuntário. Há certa poesia no fracasso, acho.
96- Gosto de esportes radicais. Não é por falta de coragem que não faço, mas por falta de tempo, dinheiro, e de conhecer gente confiável para coordenar a coisa.
97- Um dos momentos mais lindos da minha vida foi quando vi mil aranhas montando uma teia gigante. Vou levar isso para sempre.
98- Corrijo o português de todo mundo. Sou muito chata quanto a isso. Mas não necessariamente sei muito de gramática.
99- Amo olhos verdes. Mas acho que olhos castanhos combinam bem mais com a maioria das pessoas. E sou indiferente a olhos azuis (só combina se você for louro e/ou muito branquinho).
100- Não disse tudo que eu queria dizer. Mas definitivamente, não disse nada do que não queria dizer.

UPDATE I:
101- Os números 1, 5 e 9 me perseguiram por toda a vida. Mas isso é irrelevante

UPDATE II: Algumas coisas que esqueci de colocar e que acho interessantes...
102- Gosto muito do meu nome, mas odeio meu apelido. Acho "Nathi" muito comum. Se é para me diferenciar, prefiro que me chamem de Maissa, ou variações deste. Mas agora já pegou, já era...
103- Gosto de pegar ônibus. Fico reparando nas pessoas, pensando quem são, do que gostam, o que fazem...
104- Sou muito pão-dura. Aí de repente gasto tudo que juntei num dia só.
105- Não me encare. Eu sempre encaro de volta, até você ficar sem graça. Ou até eu ficar sem graça, se você for um cara lindo.
106- Uma das coisas que mais odeio é ter que explicar um milhão de vezes o que eu quero dizer. E ainda me entenderem errado.
107- Esse post estará em constante mutação. Há vários updates que vou lembrando aos poucos...

UPDADE III: Esse post não terá mais updates porque a Quel falou que eu estou roubando... ¬¬

sábado, 12 de novembro de 2011

4o. Motivo da Rosa




Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim

Cecília Meireles

Tendo a lua


(Os Paralamas do Sucesso)

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu lembro do que fiz
Querendo ver mais o distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu

Na verdade eu não mexi em cartas, bilhetes ou fotos.
Joguei metade das minhas roupas fora! Tão libertador!
Mas ouvi essa música esses dias e gosto muito dela...
(Não que eu deva satisfações a alguém...)

domingo, 6 de novembro de 2011

Sobre o que importa

É uma pena.
É uma pena que a gente não consiga aceitar algumas coisas sem revolta.
É uma pena que não nos revoltemos com outras, e simplesmente aceitemos.
É uma pena que não saibamos nunca selecionar as coisas contra as quais adianta nos mobilizarmos, ou deixar passar aquelas coisas que estão fora de nosso alcance.
É uma pena que só se escute o que se quer, enquanto que se fala tudo que queria. É uma pena a audição seletiva e o entendimento seletivo.
É uma pena que sejamos obrigados a falar aquilo que não queríamos, seja mentira ou verdade. É uma pena a obrigação de dar satisfações.
É uma pena que nos comparemos a pessoas que não têm nada a ver conosco e não percebamos que cada ser é único e cabem muito poucas comparações. É uma pena que não vejamos a individualidade de cada um.
É uma pena que nossa felicidade esteja atada à existência de uma outra pessoa. Pena que não consigamos alcançar a felicidade por conta própria.
É uma pena que tenhamos que passar pela negação, raiva, barganha e depressão até a aceitação. E que esse processo seja lento às vezes.
É uma pena que haja inversão de papéis por toda a vida: ser vítima é doloroso, mas é imensamente mais fácil.
Ou não, pode ser uma coisa boa inverter papéis: estar do outro lado nos faz chegar à aceitação mais fácil às vezes.
É uma pena que aprendamos tudo isso sempre muito tarde.

Só quando desistimos de lutar nos tornamos livres.