Todo mundo falando de Crepúsculo... é tão engraçado a popularidade de assuntos torpes que a internet traz...
(Antes de tudo: os filmes são uma bosta. Fato. Quando eu me referir à saga, portanto, falo dos livros.)
Viciada em livros que sou, li os 4 "Crepúsculos", e ainda o dito quinto livro, que não foi terminado. Li bem antes de sair o filme, por pura falta de ter o que ler nas férias, aliada ao acesso (tava com os livros digitalizados e li no celular - pirataria mode: on).
E gostei muito. Porque, mesmo não sendo nenhuma obra-prima, me fez sentir adolescente de novo, com dúvidas amorosas, com o sonho de conhecer um cara perfeitinho, lindo, educado, cujo vocabulário é considerável e não inclui palavrões ou gírias toscas (mesmo que eu fale palavrões e gírias toscas), que toque um instrumento e dedique músicas pra mim, que dance, que faça com que eu me sinta atrapalhada, boba, mas ainda assim imensamente feliz... essas coisas de apaixonite adolescente, tão gostosas... *.*... (tá eu tenho o Felipe, mas não tô falando de um amor adulto e sim de um príncipe encantado juvenil...)
Mas, afinal, por que esse livro, que não é nenhum clássico da literatura internacional, faz tanto sucesso e causa tanta polêmica? A verdade é: toda mulher, de qualquer idade, sonha com um príncipe encantado, mesmo que ela não admita. O fato de Bella ser a personagem literária mais insossa com a qual já me deparei ajuda nesse quesito: "se essa menina sem graça nenhuma conseguiu encantar dois príncipes, eu consigo ter meu príncipe também, certo?"
O fato de que mulheres são difíceis de agradar e sempre sonham com o cara perfeito é fisiológico: cabe às fêmeas selecionar os genes que serão passados para geração futura. Assim, quanto mais perfeito o cara, melhor. Junte isso à imaginação humana e à humanidade em si, que (graças a deus) preza tanto quesitos físicos quanto comportamentais para seleção do parceiro e... pronto! Você tem a lenda do príncipe encantado montada.
Só que aí entram os homens enciumados e os estraga-prazeres – machos e fêmeas - de plantão, pra lembrar a gente que príncipes não existem. O que é bem frustrante, sabe?
Porque uma mulher precisa sim acreditar no final feliz pra topar dividir sua vida com um cara. Porque é muito mais fácil viver feliz sozinha que sofrer junto com alguém que deixa meias sujas por toda a casa... ela tem que sonhar com um príncipe encantado para querer ser mãe de família, se dedicar a um lar e ao trabalho ao mesmo tempo... pq isso é muito mais foda que ser uma solteira livre. Portanto, deixem que sonhem com príncipes, pelo bem da espécie!
O que me lembra de outra teoria que eu tenho: como homens não têm senso de cooperação (se a mulher é auto-suficiente eles ficam constrangidos, ou só acham que sua ajuda é desnecessária mesmo, e simplesmente não ajudam em nada a moça)... as mulheres (que dão conta do recado muito bem, obrigada) pagam de sexo frágil: eles têm que se sentir úteis para serem úteis. (Sei que existem várias exceções, mas mantenho meu direito de generalizar).
Uma coisa comprovada cientificamente: mulheres reclamam mais, mas toleram mais dor que os homens. (Tá, tenho que admitir também: em todas as espécies que conheço, as fêmeas, apesar de mais tolerantes a incômodos em geral, são muito mais barulhentas). Mas elas reclamam tanto por uma dorzinha besta justamente para parecerem frágeis, precisando de proteção masculina. Assim os machos se sentem fortes e todos ficam felizes...
Simples assim!
PS- "amor adulto" = achar ele um príncipe mesmo quando ele dá umas de ogro e deixa as meias espalhadas, arrota, ouve Racionais (só pra te irritar), dá tapinhas nada carinhosos no seu braço vacinado e coisas do gênero... =) ... te amo, Mô!